Telemedicina e atestado médico: o que diz a lei brasileira?

Tima Miroshnichenko (Pexels)

A telemedicina transformou profundamente a forma como médicos e pacientes se relacionam no Brasil. O que antes era visto como algo experimental ou emergencial tornou-se um modelo consolidado de atendimento, especialmente após a pandemia da Covid-19. Entre as principais dúvidas que surgiram com essa evolução está a seguinte: o atestado médico emitido por telemedicina tem validade legal?

Neste artigo, você vai entender o que diz a legislação brasileira sobre telemedicina, como funciona a emissão de atestados médicos online e quais são os requisitos legais para que esse documento seja aceito por empresas, escolas e instituições.

O que é Telemedicina e Telessaúde?

A telemedicina é a prestação de serviços médicos à distância por meio de tecnologias digitais, como videoconferência, aplicativos e plataformas online. Já a telessaúde é um conceito mais amplo, que engloba outras profissões da área da saúde, como enfermagem, psicologia, fisioterapia e nutrição, também realizadas de forma remota.

No Brasil, a prática deixou de ser apenas emergencial e passou a ser definitivamente regulamentada pela Lei nº 14.510/2022, que autoriza e disciplina a telessaúde em todo o território nacional. Essa lei substituiu as normas temporárias criadas durante a pandemia, consolidando a telemedicina como uma prática permanente e legal.

A Lei nº 14.510/2022 é o principal marco jurídico da telemedicina no Brasil. Ela estabelece que:

  • As atividades realizadas por telessaúde têm validade jurídica em todo o território nacional;
  • O profissional de saúde tem autonomia para decidir se o atendimento remoto é adequado para cada caso;
  • O paciente deve consentir previamente com o atendimento à distância;
  • Os atendimentos devem respeitar o Código de Ética, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e as normas dos Conselhos Profissionais.

Com isso, a legislação deixa claro que atestado médico comprar e o atendimento remoto não é inferior ao presencial, desde que cumpra os requisitos técnicos, éticos e legais.

Sim. O atestado médico emitido por telemedicina tem validade legal no Brasil, desde que siga todas as exigências previstas em lei e nas normas do Conselho Federal de Medicina.

Isso significa que um atestado emitido após uma consulta online pode ser utilizado normalmente para:

  • Justificar faltas no trabalho;
  • Afastamento por doença;
  • Justificativa escolar;
  • Licenças médicas;
  • Outras finalidades legais.

Empresas e instituições não podem recusar um atestado digital apenas por ter sido emitido via telemedicina, se ele estiver corretamente preenchido e assinado digitalmente.

Requisitos Legais do Atestado Médico por Telemedicina

Para que o atestado médico online tenha validade jurídica, ele precisa cumprir alguns critérios obrigatórios:

1. Médico Habilitado

O profissional deve possuir registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e estar autorizado a exercer a medicina no Brasil.

2. Consentimento do Paciente

O paciente precisa concordar expressamente com o atendimento remoto, e esse consentimento deve ser registrado.

3. Identificação Completa

O atestado deve conter:

  • Nome completo do paciente;
  • Nome completo do médico;
  • Número do CRM e especialidade;
  • Data e horário da consulta;
  • Tempo de afastamento recomendado;
  • Justificativa clínica, quando aplicável;
  • Informação de que o atendimento foi realizado por telemedicina.

4. Assinatura Digital

O documento deve ser assinado com certificado digital padrão ICP-Brasil ou outra forma de assinatura eletrônica juridicamente válida, garantindo autenticidade e integridade.

5. Registro em Prontuário

A consulta e o atestado devem ser registrados no prontuário eletrônico do paciente, conforme exigido pelas normas médicas.

Atestado Digital x Atestado em Papel: Existe Diferença?

Do ponto de vista jurídico, não existe diferença de validade entre o atestado físico e o atestado digital. A diferença está apenas no formato:

  • Atestado físico: assinado manualmente e entregue em papel;
  • Atestado digital: assinado eletronicamente e enviado por e-mail, aplicativo ou plataforma segura.

Ambos possuem o mesmo valor legal quando cumprem os requisitos exigidos.

Quando a Telemedicina Não Pode Ser Utilizada?

Apesar de ser amplamente aceita, a telemedicina possui limitações. Existem situações em que o atendimento presencial é obrigatório, como:

  • Casos que exigem exame físico detalhado;
  • Situações de urgência e emergência;
  • Procedimentos diagnósticos que dependem de avaliação presencial;
  • Exames médicos ocupacionais, em muitos casos, conforme normas do CFM e da medicina do trabalho.

Nessas situações, o médico deve orientar o paciente a procurar atendimento presencial.

Direitos do Paciente e Responsabilidades do Médico

O paciente atendido por telemedicina possui os mesmos direitos de uma consulta presencial, incluindo:

  • Sigilo das informações médicas;
  • Direito à informação clara e objetiva;
  • Direito de optar pelo atendimento presencial;
  • Proteção dos dados pessoais, conforme a LGPD.

Já o médico assume responsabilidade total pelos atos praticados à distância, devendo seguir o Código de Ética Médica, responder civil, ética e criminalmente se houver falhas ou negligência.

Conclusão

A telemedicina é uma realidade definitiva no Brasil e está plenamente amparada pela legislação. A Lei nº 14.510/2022 garante a validade jurídica dos atendimentos remotos e, consequentemente, dos atestados médicos emitidos por telemedicina.

Desde que sejam respeitados os requisitos legais, técnicos e éticos, o atestado digital possui o mesmo valor que o presencial, trazendo mais acessibilidade, agilidade e segurança para pacientes, médicos e empresas.

A telemedicina não é apenas uma tendência — é uma evolução natural da saúde moderna, alinhada à tecnologia, à legislação e às necessidades da sociedade atual.

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